Archive for Fevereiro, 2011

#videomonday – Black Swan, 2011

Fevereiro 28, 2011

Lindíssimo cartaz do Filme.

Não devia ligar muito para o Oscar, festa “oficial” do Cinema de Hollywood, há anos luz de distância da nossa realidade de produtores independentes brasileiros. Mas, às vezes (bem às vezes), alguns filmes concorrentes me chamam a atenção e eu acabo vendo algumas partes da cerimônia (especialmente as que não tem defuntos como a Celine Dion “cantando” alguma coisa).

Desta vez estava torcendo pelo Black Swan, belo filme de Daren Aronofsky. Talvez não seja o melhor dele – alguns defendem o “Pi”, eu gosto muito do “O Lutador”, de 2008 – mas, definitivamente, entre os concorrentes ao prêmio máximo era um dos mais instigantes. Apesar de não ter nada de “novo” ou “ousado” – dá pra lembrar, por exemplo, de obras psicológicas como “Suspiria”, do mestre italiano Dario Argento – , o filme é, querendo ou não, um contraponto às dramaturgias rígidas e retas e às linguagens estáticas e padronizadas da maior parte dos concorrentes ao Oscar, e só por isso já merecia um destaque.

Eu, pelo menos, adorei o filme (apesar de preferir imensamente o longa anterior do Aronofsky). Gosto do jogo psicológico que o filme lança, a partir das perspectiva quase que subjetiva da Natalie Portman, que fez o papel da vida dela e papou merecidamente o Oscar de Melhor Atriz ontem. Tanto em “O Lutador” quanto neste novo longa, Aronofsky se concentra na crise psicológica de seus personagens, que vão tendo todas as suas forças minadas, caminhando em direção à auto-destruição. O que mais me chama a atenção em “O Lutador”, porém (e que em Black Swan fica mais na base da indução), é a decadência total (e lamentável) em que o personagem inevitavelmente se afunda. Só que aqui, o Ballet substitui o Wrestling do filme anterior, o que exige de Aronofsky um trabalho realmente mais subjetivo e sugerido de abordagem desta “entrega”. Eu acho que funciona, guardadas as devidas proporções. Mas, se posso fazer alguma ressalva ao filme, seria exatamente em relação aos recursos que ilustram estas circunstâncias sufocantes que destróem a personagem que, por vezes, me parecem um pouco rasos e forçados.

Mas, de qualquer forma, vale a pena conferir, nem que seja só pela brilhante atuação da Natalie Portman. Aproveitem que está em cartaz, viu pessoal? Baixar filme da internet é crime!

Texto by Vinícius Cabral

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